ESTUDANTES APRENDEM A CONCILIAR TRABALHO E VIDA ACADÊMICA
Universitários convivem com o dilema de dedicar-se integralmente à carreira ou de atuar em áreas não relacionadas com sua formação
Universitários convivem com o dilema de dedicar-se integralmente à carreira ou de atuar em áreas não relacionadas com sua formação
* por Julio Longo
Conciliar a faculdade com o trabalho é uma rotina cada vez mais comum para os estudantes do ensino superior. Seja para pagar os estudos, construir um bom currículo ou mesmo garantir um dinheiro extra para gastar nos finais de semana, diversas são as razões que levam os universitários a buscarem um emprego antes do término da vida acadêmica. Muitas vezes, contudo, as oportunidades oferecidas a estes estudantes não condizem com a área em que pretendem se formar. E, então, surge a dúvida: é mais produtivo dedicar-se integralmente à formação superior ou qualquer experiência profissional, mesmo que em nada se relacione com a faculdade em curso, é válida? A resposta mais óbvia seria dizer que o ideal é ter um emprego que, ao mesmo tempo que garanta ao estudante uma renda fixa e experiência profissional, não comprometa o seu rendimento na universidade. Mas encontrar este meio termo não é uma tarefa das mais fáceis.
A universitária Ellen Lima, por exemplo, abriu mão de seu emprego para procurar um estágio que fosse mais útil em sua formação profissional. No início de 2005, interessada em uma oportunidade numa grande multinacional, decidiu trancar o quarto período de Comunicação Social na Universidade Cândido Mendes e se mudar para Campinas para atuar como analista de crédito sênior. Apesar do bom salário, a realização de práticas administrativas não lhe agradou e, em julho, optou por voltar ao Rio de Janeiro e retomar a faculdade:
- Atualmente, é mais importante desenvolver uma boa formação superior do que conseguir um emprego enquanto se está na faculdade. São raras as vezes em que os empregos nos dão segurança financeira ou mesmo profissional, ainda mais sem o diploma do curso superior - diz Ellen.
Mesmo trabalhando, estudantes devem priorizar a faculdade. O gerente de inserção profissional da Fundação Mudes, Artur Mendonça, garante que casos deste gênero são muito comuns e explica que há dois pontos críticos a serem analisados sobre a questão. O primeiro diz respeito aos estudantes que se encantam com bons salários e atuam realizando atividades fora da área que lhes diz respeito em sua formação. O outro é referente aos alunos que, uma vez dentro do mercado de trabalho, acabam por priorizar a atuação profissional e deixam à formação acadêmica em segundo plano:
- Às vezes o estudante fica deslumbrado por estar em uma grande empresa, realizando atividades dentro da área em que está se formando e acha que isso é suficiente. O resultado é que alguns acabam deixando o estudo teórico de lado, o que se torna extremamente prejudicial para o futuro crescimento profissional do indivíduo - explica Artur, que em seguida completa:
- Vivemos em uma sociedade onde os títulos ainda são muito importantes.
No que diz respeito às profissões que mais empregam funcionários com formação em áreas não relacionadas, os cargos administrativos são uma unanimidade absoluta entre os profissionais de RH, adianta Artur Mendonça:
- A área de Administração emprega muitos formados ou estudantes que estejam se formando em outros cursos superiores. Isso acaba impossibilitando o alcance de um maior patamar na carreira em função dos conhecimentos específicos dos profissionais empregados serem outros. Futuramente, isto pode gerar uma frustração muito grande - segundo Artur. Contudo, também existem inúmeros casos de estudantes que acabam conseguindo, antes do término do curso superior, empregos relacionados a sua formação. O universitário Bruno Magalhães, por exemplo, está satisfeito com seu emprego, que em muito tem complementado sua formação acadêmica. Prestes a se formar no curso de Informática, há pouco mais de um ano, foi contratado por uma empresa deste segmento. O estudante garante que a atuação profissional nunca atrapalhou seus estudos. Muito pelo contrário, teve uma interferência positiva pelo fato da Informática ser uma ciência primordialmente prática:
- Trabalhar na área em que estou me formando só tem me trazido benefícios. Estou tendo a chance de por em prática quase tudo que tenho aprendido na faculdade, o que sem dúvida reforça em muito o meu aprendizado -, conta Bruno.
Quando este tipo de sinergia entre a atuação na faculdade e no trabalho é alcançado sem que uma atrapalhe a outra, o estudante só tende a ganhar. Além do lado financeiro, existe a construção de um histórico curricular e um terceiro fator que é fundamental: o desenvolvimento de uma postura profissional, o que raramente é explorado nas universidades.
Um emprego que não entre em conflito com a vida acadêmica é sempre importante por desenvolver no estudante uma maior maturidade, comprometimento e toda uma postura comportamental que pode ser de grande valia para seu futuro crescimento como profissional, explica a consultora de Recursos Humanos da Parceria Consultoria Carolina Siqueira que conclui:
- A solução, portanto, é a reflexão detalhada, por parte de cada estudante, sobre os prós e os contras de conciliar o trabalho com os estudos. Só assim é possível tomar uma decisão consciente e evitar decepções.
Conciliar a faculdade com o trabalho é uma rotina cada vez mais comum para os estudantes do ensino superior. Seja para pagar os estudos, construir um bom currículo ou mesmo garantir um dinheiro extra para gastar nos finais de semana, diversas são as razões que levam os universitários a buscarem um emprego antes do término da vida acadêmica. Muitas vezes, contudo, as oportunidades oferecidas a estes estudantes não condizem com a área em que pretendem se formar. E, então, surge a dúvida: é mais produtivo dedicar-se integralmente à formação superior ou qualquer experiência profissional, mesmo que em nada se relacione com a faculdade em curso, é válida? A resposta mais óbvia seria dizer que o ideal é ter um emprego que, ao mesmo tempo que garanta ao estudante uma renda fixa e experiência profissional, não comprometa o seu rendimento na universidade. Mas encontrar este meio termo não é uma tarefa das mais fáceis.
A universitária Ellen Lima, por exemplo, abriu mão de seu emprego para procurar um estágio que fosse mais útil em sua formação profissional. No início de 2005, interessada em uma oportunidade numa grande multinacional, decidiu trancar o quarto período de Comunicação Social na Universidade Cândido Mendes e se mudar para Campinas para atuar como analista de crédito sênior. Apesar do bom salário, a realização de práticas administrativas não lhe agradou e, em julho, optou por voltar ao Rio de Janeiro e retomar a faculdade:
- Atualmente, é mais importante desenvolver uma boa formação superior do que conseguir um emprego enquanto se está na faculdade. São raras as vezes em que os empregos nos dão segurança financeira ou mesmo profissional, ainda mais sem o diploma do curso superior - diz Ellen.
Mesmo trabalhando, estudantes devem priorizar a faculdade. O gerente de inserção profissional da Fundação Mudes, Artur Mendonça, garante que casos deste gênero são muito comuns e explica que há dois pontos críticos a serem analisados sobre a questão. O primeiro diz respeito aos estudantes que se encantam com bons salários e atuam realizando atividades fora da área que lhes diz respeito em sua formação. O outro é referente aos alunos que, uma vez dentro do mercado de trabalho, acabam por priorizar a atuação profissional e deixam à formação acadêmica em segundo plano:
- Às vezes o estudante fica deslumbrado por estar em uma grande empresa, realizando atividades dentro da área em que está se formando e acha que isso é suficiente. O resultado é que alguns acabam deixando o estudo teórico de lado, o que se torna extremamente prejudicial para o futuro crescimento profissional do indivíduo - explica Artur, que em seguida completa:
- Vivemos em uma sociedade onde os títulos ainda são muito importantes.
No que diz respeito às profissões que mais empregam funcionários com formação em áreas não relacionadas, os cargos administrativos são uma unanimidade absoluta entre os profissionais de RH, adianta Artur Mendonça:
- A área de Administração emprega muitos formados ou estudantes que estejam se formando em outros cursos superiores. Isso acaba impossibilitando o alcance de um maior patamar na carreira em função dos conhecimentos específicos dos profissionais empregados serem outros. Futuramente, isto pode gerar uma frustração muito grande - segundo Artur. Contudo, também existem inúmeros casos de estudantes que acabam conseguindo, antes do término do curso superior, empregos relacionados a sua formação. O universitário Bruno Magalhães, por exemplo, está satisfeito com seu emprego, que em muito tem complementado sua formação acadêmica. Prestes a se formar no curso de Informática, há pouco mais de um ano, foi contratado por uma empresa deste segmento. O estudante garante que a atuação profissional nunca atrapalhou seus estudos. Muito pelo contrário, teve uma interferência positiva pelo fato da Informática ser uma ciência primordialmente prática:
- Trabalhar na área em que estou me formando só tem me trazido benefícios. Estou tendo a chance de por em prática quase tudo que tenho aprendido na faculdade, o que sem dúvida reforça em muito o meu aprendizado -, conta Bruno.
Quando este tipo de sinergia entre a atuação na faculdade e no trabalho é alcançado sem que uma atrapalhe a outra, o estudante só tende a ganhar. Além do lado financeiro, existe a construção de um histórico curricular e um terceiro fator que é fundamental: o desenvolvimento de uma postura profissional, o que raramente é explorado nas universidades.
Um emprego que não entre em conflito com a vida acadêmica é sempre importante por desenvolver no estudante uma maior maturidade, comprometimento e toda uma postura comportamental que pode ser de grande valia para seu futuro crescimento como profissional, explica a consultora de Recursos Humanos da Parceria Consultoria Carolina Siqueira que conclui:
- A solução, portanto, é a reflexão detalhada, por parte de cada estudante, sobre os prós e os contras de conciliar o trabalho com os estudos. Só assim é possível tomar uma decisão consciente e evitar decepções.

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